segunda-feira, 25 de abril de 2011

nauseante sobriedade












Toda a aura decadente sempre me inspirou. Não tanto de um cabedal remendado, mais de um Bukowski adulterado, contudo por mais que me esforce estou condenado à sobriedade. Gostava de perceber as letras das músicas, mas apenas lhe sinto o tom, gostava de beber até cair, mas caio sempre ainda nem bebi até ao fim. Como invejo aqueles que bebem até perder a consciência, que bebem até se esquecer que estão a beber, que bebem e ficam verdadeiramente ébrios, enublados no sentir. Se por momentos fico mais aparvalhado - não bêbado - é porque o inconsciente está benevolente para com o consciente. Se ainda ou menos pudesse trocar as pernas trôpegas pela alma, se aquela dormência sortisse efeito nem que fosse em doses ínfimas. Quero-me foder todo e não consigo e “na vertigem existe adrenalina com sabor ansioso a náusea”.

domingo, 17 de abril de 2011

Torpe













De manha acordo torpe. Bochecho alguma realidade ficcional e perfume-me de alguma pretensão para ser, ora artista ora dogmático económico-politico-opinador de algo pretendo inteirar-me de tudo. Mas filho, tudo é tanto que tanto faz o tudo que queres perceber que nada perceberás contudo. A noite vem e com ela a resignação caótica do tempo que não nos dá espaço. Tal como uma namorada que amamos, por vezes precisamos de um tempo do próprio Tempo. Seja na física quântica ou num simples acordar o tempo e o espaço nunca estão desassociados e isso é uma merda.