domingo, 26 de janeiro de 2014

sopas de cavalo cansado















Juventude alada, um olho à Eusébio e duas colheres de sopa de cavalo cansado. 


Éramos modernos, concretos na salvação esteta e tecnológica. Agora somos pós-modernos e mais primitivos que uma pedra, calhau seria demasiado bacoco, e bacoco era a tua prima e quanto mais prima mais se-lhe-arrima, e arrima que lá vai disto, ou, aqui vai-alho. Que mil Caralhos, então, mas agora esta modernidade liquida, como alguns autores eloquentes e consagrados do pensar teceram, ou entesaram, saiu da academia e anda aí em forma de cerveja a intrujar-se nas juventudes ávidas por fazerem sentido. Ser jovem é tudo menos tentar fazer sentido ò seu adolescente com traje de gente, ou doutor ou a puta-que-te-pariu. Se ao menos se ficassem pelas mijadelas no bairro alto e dos gritos em uníssono de pertença, mas não, sobem às cavalitas dos cavacos para fazerem sentido, e pior que isso alistam-se em partidos, como se soubessem que partido a vida lhes reserva. Antes andassem à porrada. Vai-te emancipar, vai, vai-te capar, vai-te referendar se devias ter nascido. Não vir uma onda nudista do meco que te envolvesse e devolve-se em gente. Não vou mais bater nesta juventude trajada que me envergonha e me tenta governar. Mas ao menos, se percebessem que não são, não és especial. O Mundo não se aguenta com 7 biliões de Cristianos Ronaldos, se eu já me vomito com 5 copos agora imagina o mundo e a sua dor por te ter parido. O Mundo não quer saber a tua opinião e não te deve nada, tu deves-lhe tudo e só o empenho e as melhores intenções interessam. Desde que te impingiram que o céu seria o limite, e a modernidade, um esforço contínuo, rápido e irrefreável para alcançá-lo, que mais te esfarelas. O acesso a meios mais rápidos de mobilidade na modernidade é a principal ferramenta de poder e dominação. Ser moderno passou a significar ser incapaz de parar, de ficar com a opinião encerrada no eclair das calças, o pavor de ficar parado, tendo necessidade de estar sempre à frente de si mesmo, significa também, ter uma identidade que só pode existir como um projecto não realizado. Uma angustia perpetua.