terça-feira, 6 de janeiro de 2015

e finge, que se fingires com muita força parece que é felicidade

















Pinta os lábios de sangue boi, e finge, que se fingires com muita força parece que é felicidade, felicidade aguçada num dedal letal. Se gesticulares ninguém te perceberá, se te esboçares em batom todos encantarás. Dócil serpente sobre ti recolherás em embrião de homem subjugado penetrará. Bifurcada língua palavras brotará de vazios lexicais que tentam explicar o porquê que o homem gira e o planeta morre. Nascemos de múltiplas explosões, big-bang de estrelas, dos oceanos, de sexo, de pó-meteorítico, de rocha e ferro. Nascemos desse ruído erótico. Só o silêncio findará numa dança louca sem chão, e no fim, nunca haverá fim. A morte não é o contrário de vida mas apenas uma continuação dela. (próximo post)