terça-feira, 24 de março de 2015

jaz sereno em vida para que longa seja a morte



















Nunca temas a morte, pensa todos os dias nela e abraça-a à noite com um sorriso de boa noite, nunca morrerás efectivamente se tiveres com consciência dela, a consciência é eterna. Dilui o pavor nessa mentalização, agora e já, treina-te em vida para viveres o pós vida. Apenas quando morreres realmente despertarás para tal, como despertaste para a vida terrena quando abriste os olhos pela primeira vez e sacudiste um choro. Foste tu que escolheste os teus país para a este mundo voltares, para continuares o ciclo da memoria/dor terrena, mais atenuada ou aguçada, esse karma foi escolha tua, tua função última neste corpo herdado, será em ciclos de escolha de vida e morte de regresso a este Mundo, harmonizares, até a uma fase que da morte não tenhas mais que regressar a este plano, e consigas para longe de quimeras ou paraísos prometidos penetrares a supra-consciência dos inícios, que eternamente se estão a verbalizar em vórtices expansivos.

 Assim sendo, toca o teu melhor clarim, assobia baixinho com compaixão e sabedoria na fronte e sem cegares em chamamentos hedonistas ou de temor, treina o silêncio nesta vida terrena. A vida não é mais que uma oportunidade dada ao teu corpo de se libertar de vez de tanto ruido acumulado em forma de gente e genes. Nada temas e na jornada pós-vida, nos primeiros 2 meses que durará a viagem escolhe a duvida e salta sereno para o abismo, não voltes cá, não fujas, nada temas aos julgamentos e figuras aterradoras que enfrentarás, por vezes petrificado outras maravilhado, confuso, com ânsia de voltares a escolher uma nova família terrena para para te redimires num novo corpo, diz não no processo. Interrompe o teu Karma espiritual e terreno, segue sereno, e quebra o ciclo karmico deste plano. 
Torna-te matéria primordial sem memoria e jaz sereno num novo big-bang que iniciaste. (Pedro Tiago 26.12.2014) 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

e finge, que se fingires com muita força parece que é felicidade

















Pinta os lábios de sangue boi, e finge, que se fingires com muita força parece que é felicidade, felicidade aguçada num dedal letal. Se gesticulares ninguém te perceberá, se te esboçares em batom todos encantarás. Dócil serpente sobre ti recolherás em embrião de homem subjugado penetrará. Bifurcada língua palavras brotará de vazios lexicais que tentam explicar o porquê que o homem gira e o planeta morre. Nascemos de múltiplas explosões, big-bang de estrelas, dos oceanos, de sexo, de pó-meteorítico, de rocha e ferro. Nascemos desse ruído erótico. Só o silêncio findará numa dança louca sem chão, e no fim, nunca haverá fim. A morte não é o contrário de vida mas apenas uma continuação dela. (próximo post) 

domingo, 19 de outubro de 2014

apaga a luz e dança













Com o estômago aconchegado de alimento, angustio-me, no meu perfumado e aprimorado quarto, praguejo, numa guerra que não existe, elimino-me. Na mais confortável cama, sem perigo de cair, de colchão no chão a tendência é esmurrar a queda, depois do chão haverá sempre motivação para cavar em vão. Nada será suficiente, nunca. Apenas e só após todas as portas do medo se escancararem entre correntes de ar de abismos, aí, não mais ateu suplicarei uma última oportunidade. Mal acorde não me lembrarei, tudo farei para esquecer esse percalço de erro, de medo, de suplício, de vergonha alheia perante a minha própria divindade que sou eu em todo o meu esplendor, mais que qualquer Deus salvador. De dor aceite, com a morte em deleite, aceito todas as torturas praticadas neste corpo cheio de saúde e bem-estar. De que te queixas tu menino? Apaga a luz e dança. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Marquês de Pombal






















Nunca se viu tanta gente como agora, são aos magotes tipo pombos, animal este não andasse em bandalheira e seria um pássaro mais nobre, o problema deles é serem muitos. Estamos cansados de pombos e de pessoas, e queixamos-mos uns dos outros, porque vivemos uma crise de excesso, nunca como agora vimos tantas projecções de Egos esborrarem-se-nos na testa. As pessoas sempre estiveram aí, já os pombos penso que tenham sido inventados pelo Marques de Pombal, era nisto que acreditava em criança quando assimilava a baixa pombalina e o saco de grãos que o meu tio comprava a um dealer do milho. Já as pessoas sempre estiveram presentes e com éne hastags possibilidades de se mascarar de outras coisas, nunca contudo de hastag, pois ainda não existia o conceito e só podemos sofrer de Alzheimer depois do Sr Alzheimer ter inventado a sua existência, mas tinha que se cheirar na rua tudo isso, escancarar com a cabeça na real má cara das pessoas e enquanto as internets desta vida não possuírem odores seremos eternamente enganados, burlas houve, há, e existirão no real e na fantasia (podemos chamar-lhe virtual também), contudo antes burlado pelo sabor do pão do que pelo marketing do padeiro,…somos hastags disto e daquilo, somos tudo isso e ainda mais sem limites tipo tarifário moche, somos Benfica, somos erguidos por verbos de pertença, somos Portugal, somos isto e aquilo e o seu contrário também, estupidificados na valorização do alto do nosso conhecimento sobre o mundo e principalmente sobre as pessoas, pois nunca como agora nos achámos cheios de tanta razão, sem nos permitirmos ou que se permitam no meio dela, matamos a possibilidade do universo ao racionalizarmos essa mesma possibilidade, pior que isso, já ninguém lê este texto até ao fim e anseia conhecer o artista, antes tivesse no inicio umas mamas ou o Goucha com um gatinho.