quinta-feira, 25 de outubro de 2012

abrir o peito ao medo












pensa,…amanha estás morto teus sonhos morrerão primeiro que o teu corpo, vais-te agarrar ao concretismo para nessa agustia sobreviveres até lá. Assim das duas três, evitar refletir, olhar para o lado assobiando, delinear uma agenda preenchidíssima para assim o tempo passar depressa e despertarmos para tal já falecidos. Isso, ou abrir o peito ao medo. Profanar todas as ideias e esperanças pré-definidas. Manter a mente clara e iluminada que já pertencemos ao passado tal como nossos antepassados e o mundo vindouro, que está na barriga deste, gritando por pariu, só depois de descermos até à cave do medo mais profundo, haverá esperança que nasça e grite de saúde por uma consciência maior. Dilatar, respirar, procurar na ambivalência beijar a flor e o espinho com mesmo carinho, membros do mesmo corpo é também desenhado o corpo biológico/espiritual do agora. Serei o teu melhor amigo que te esquecerá tal como o wikipédia quando morreres. Não penses num mundo melhor, ninguém se lembrará de ti daqui a 100 anos. Evita lutar, pois cria inércia, taquicardias e ficas mais feio. Despe o pensamento do ter que deixar testamento, património material ou imaterial, filhos educados, livros esclarecidos, entidades certificadas, empresas no psi20, ideologias de bandeiras, brincos de ouro, obra artística, nada, nada a deixar. Tudo que deixares no sangue materialista deste mundo se evaporará no ar com o Tempo. Faz parir o pavor em ti que te estremeça ao ponto de abalar apenas a noção disto, pois a acção está em curso há milénios. 



domingo, 30 de setembro de 2012

Moondog















 Filho de uma Loba e um meteorito fecundativo, nasci eu. Condenado à nascença, aborto clandestino, sangrei por mim e por tantos outros gémeos a mim iguais, mas eu teria de nascer dessa fusão, cartas de oráculos esvoaçaram e Lua Mãe fez-me parir na mesma, e assim gritei orgasmos invertidos quando vi o pai Sol, ali tão central, tão celestial. Eu era apenas mais um ofuscado da energia vital que o meu Pai Sol tinha ejaculado naquele meteoro. Já em Terra, terra fria de deuses e deusas, pessoas, servos e cervos, cada um artilhado de hastes, leques e antenas lá íamos colocando e sintonizando o que sobrava deste nosso início sexual cósmico.





domingo, 5 de agosto de 2012

sangue tinto






















Só a dor faz escrever com as palavras certas, escrever sem dor é jornalismo misantropo e mesquinho do ego. Belo aquele a quem as palavras escorregam garganta fora com a facilidade que o veludo vinho galopa veias dentro. Nem vinho nem dor nestas horas de escolher a fonte, apenas casacos perfumados de pretensão. Vampiresca intenção de por momentos ter-te sugado o sangue que te irrigou a atenção nesta leitura. 



domingo, 27 de maio de 2012

Terá Deus tesão?





















Tudo que cative a atenção por mais de 2minutos é de conteúdo pornográfico.
 Aquela imagem, aquela mota, aquela miúda, aquela publicidade, aquela notícia, aquele silêncio. Tal como o conteúdo pornográfico, de conteúdo tem pouco mas o resultado está consonante com a intenção. Entenda-se pornográfico como algo que nos prenda a atenção, que nos aliene de nós por momentos e que explore apenas os tendões galopantes da nossa superfície. Terá Deus tesão? O explodir de uma estrela não será um orgasmo divino? São dúvidas como esta que um ateu-agnóstico-crente se debruça aquando da masturbação mental, e ó gente, quantos intelectuais não andam para ai de pila na mão a mostrar literariamente ou televisivamente ideias separadas da emoção. Cabeças da razão que rolam sobre elas mesmas, com olhos peixe com visão periférica sem contudo se verem a si próprios… Deixa-te disso e degusta o gelado, não te vá derreter na mão antes que exploda outra estrela algures no teu Ser.