Filho de uma Loba e um meteorito fecundativo, nasci eu. Condenado à nascença, aborto clandestino, sangrei por mim e por tantos outros gémeos a mim iguais, mas eu teria de nascer dessa fusão, cartas de oráculos esvoaçaram e Lua Mãe fez-me parir na mesma, e assim gritei orgasmos invertidos quando vi o pai Sol, ali tão central, tão celestial. Eu era apenas mais um ofuscado da energia vital que o meu Pai Sol tinha ejaculado naquele meteoro. Já em Terra, terra fria de deuses e deusas, pessoas, servos e cervos, cada um artilhado de hastes, leques e antenas lá íamos colocando e sintonizando o que sobrava deste nosso início sexual cósmico.
domingo, 30 de setembro de 2012
Moondog
Filho de uma Loba e um meteorito fecundativo, nasci eu. Condenado à nascença, aborto clandestino, sangrei por mim e por tantos outros gémeos a mim iguais, mas eu teria de nascer dessa fusão, cartas de oráculos esvoaçaram e Lua Mãe fez-me parir na mesma, e assim gritei orgasmos invertidos quando vi o pai Sol, ali tão central, tão celestial. Eu era apenas mais um ofuscado da energia vital que o meu Pai Sol tinha ejaculado naquele meteoro. Já em Terra, terra fria de deuses e deusas, pessoas, servos e cervos, cada um artilhado de hastes, leques e antenas lá íamos colocando e sintonizando o que sobrava deste nosso início sexual cósmico.
domingo, 5 de agosto de 2012
sangue tinto
Só a dor faz escrever com as palavras
certas, escrever sem dor é jornalismo misantropo e mesquinho do ego. Belo aquele
a quem as palavras escorregam garganta fora com a facilidade que o veludo vinho
galopa veias dentro. Nem vinho nem dor nestas horas de escolher a fonte, apenas
casacos perfumados de pretensão. Vampiresca intenção de por momentos ter-te
sugado o sangue que te irrigou a atenção nesta leitura.
domingo, 27 de maio de 2012
Terá Deus tesão?
Tudo que cative a atenção por mais de
2minutos é de conteúdo pornográfico.
Aquela imagem, aquela mota, aquela miúda, aquela publicidade, aquela notícia, aquele silêncio. Tal como o conteúdo pornográfico, de conteúdo tem pouco mas o resultado está consonante com a intenção. Entenda-se pornográfico como algo que nos prenda a atenção, que nos aliene de nós por momentos e que explore apenas os tendões galopantes da nossa superfície. Terá Deus tesão? O explodir de uma estrela não será um orgasmo divino? São dúvidas como esta que um ateu-agnóstico-crente se debruça aquando da masturbação mental, e ó gente, quantos intelectuais não andam para ai de pila na mão a mostrar literariamente ou televisivamente ideias separadas da emoção. Cabeças da razão que rolam sobre elas mesmas, com olhos peixe com visão periférica sem contudo se verem a si próprios… Deixa-te disso e degusta o gelado, não te vá derreter na mão antes que exploda outra estrela algures no teu Ser.
Aquela imagem, aquela mota, aquela miúda, aquela publicidade, aquela notícia, aquele silêncio. Tal como o conteúdo pornográfico, de conteúdo tem pouco mas o resultado está consonante com a intenção. Entenda-se pornográfico como algo que nos prenda a atenção, que nos aliene de nós por momentos e que explore apenas os tendões galopantes da nossa superfície. Terá Deus tesão? O explodir de uma estrela não será um orgasmo divino? São dúvidas como esta que um ateu-agnóstico-crente se debruça aquando da masturbação mental, e ó gente, quantos intelectuais não andam para ai de pila na mão a mostrar literariamente ou televisivamente ideias separadas da emoção. Cabeças da razão que rolam sobre elas mesmas, com olhos peixe com visão periférica sem contudo se verem a si próprios… Deixa-te disso e degusta o gelado, não te vá derreter na mão antes que exploda outra estrela algures no teu Ser.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Aurora blurial em Lobão da Beira (memorias de avó ficcionada por um qualquer Bukowski sóbrio)









Certo dia, noite feita ainda em dia, o céu acidificou em tons vermelho inferno acetinado e em ácido toda uma população entrou em alvoroço. Metade da aldeia em sacramento refugiou-se naquele que é o céu pastel pintado de anjos e arcanjos de azul dourado protector, a igreja matriz de Lobão. A mocidade curiosa olhava hipnotizada para o céu, outra entregava-se aos deleites da carne crua como se não houvesse amanha, é que esse amanha poderia não existir tal era o desplante de tal fenómeno. Chatos, os Cientistas, lá vieram apaziguar gentes com explicações científicas. Que explicam tudo menos como foi bom comer aquele naco sem pedir licença, nunca conseguiram evitar todos os animais mortos e os enchidos alambazados pela angústia do consumir dentro do prazo de validade da própria morte que se lhe caia dos céus, mas neste caso a validade eram os seres humanos, as mercadorias assim ficaram ao critério da barriga de cada qual. Comeu-se o porco de tons rosa e o céu voltou aos seus tons azul maricas, as pessoas relaxaram de bandulho cheio e este conto desceu as calças para ir mijar e adormeceu a ressonar que nem um bêbedo.
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