terça-feira, 15 de novembro de 2011

Alquimia de ouro em fezes: receita










Juntar um variado de comunidades humanas, de preferência pessoas ou indivíduos (a comum apelidada comunidade civil) já marinados na vida, num recipiente bancário idóneo, impingir de duas a milhentas necessidades tão necessárias quanto a necessidade assim o exigir e colocar numa panela de pressão e deixar inflacionar em sistema aquilo que eu gostaria de ter + aquilo que eles gostariam que eu tivesse + aquilo que nunca terei + aquilo que eles terão devido apenas ao meu pensamento em ter. Pega-se então nessa mistura e leva-se ao forno financeiro, onde mestres da química e da física quântica fazem com que matéria e direitos desapareçam de um lado para logo reaparecerem sobre a forma hegemónica e legitima noutrem . Se não tiver todos estes utensílios à mão, pois nem toda a gente pode ser politico ou banqueiro, pode sempre tentar uma receita caseira. Acarinhar um animal doméstico com doces e mãos mecânicas de carinho, meter um recipiente (pode ser um balde) por cima do animal e só depois de o mesmo gemer de desorientação e desespero, ir em sua “salvação”, acariciar depois o animal uma vez por dia mas com os “juros” de obediência e repressões ríspidas caso mije no tapete.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sr de Fraque




Sinto-me rico em austeridade, essa palavra
de autoridade, desses senhores
de fraque de piça nó de gravata.
De tanto cortar, cortar, cortar, fizeram de mim gourment de Pessoa
fino, fatiado, e recheado de nada.
... Dinheiro manteiga em torradas esperanças não mais assustam mendigos migalhas,
tiros e facadas na cara, balas alojadas em mentes aplanadas, fotos, sapatos,
unhas rasgadas, beijos tremules em pernas firmes de incertezas danadas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

pedro o poeta










odeio poesia, nunca li,
mas só nela me encontro e leio
a linguagem está dissipada, a oralidade está cega de sentido,
materializar o pensamento é ficar burro, asno na interpretação
quando as palavras se aglomeram num bolo alimentar e sai apenas a dislexia de pensamento é porque se deixou de ser homem, demasiado pedra, ou sapato de calçar, pior que tudo isso é escrever isto
e principalmente ler

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

dentes cerrados por cimento ouro















ainda ontem serás alguém e hoje já não foste ninguém porque aprendes a viver em tempos verbais errados, a culpa não é do tempo verbal mas sempre do próprio verbo, essa acção imposta às palavras como se elas a pudessem exercer em vez da acção.Morrer é um verbo giro, toda a gente o escreve e conjuga, mas nunca ninguém morreu verdadeiramente nele. Palavras são assim folhas de divida externa, lugares de especularização e valorização que rapidamente caducam conforme o tempo verbal do sujeito que as inflacionou. Cansado de Outonos, mas nunca das folhas caducas que caem devido apenas à gravidade e nunca há gravidade da queda ou ao medo da mesma, apostei na bolsa do descrédito para que as minha cotações interpretativas se tornem ouro, esse material que não desvaloriza e não se conjuga.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Come rapaz que andas escanzelado


















Tigeladas de stress pela manha, dois tragos de lucidez entram pela persiana não lhe sinto a força e não me incomoda o sono vindouro, essa lucidez já não me desperta demónios. Cada dia que passo sou mais um aglomerado de teclas pc com tento a aguarelas pincel, mas das duas,… três,… ou serei um eloquente louco, ou um louco eloquetemente doente da doença da eloquência,… sem me desdobrar mais em fatias pseudo-trocadilhais-do-carilho, sinto que é altura de conquistar a massa critica, seja ela brega ou erudita. A noite vem em passos drunfados de sono pincel e assim as palavras já fluem para becos cósmicos para que mesmo incompreendidas tenham fuga possível,…só a noite nos liberta da prisão de ventre verborrial acumulada durante o dia.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

cordeiro de deus











Vi livros fumarem-se em cancros de resignação, metro sim metro sim lá ia mais um livro a ler-se de óculos rebaixados na penca, ora leitura erudita, ora essa dita escrita que todos abrange e nada diz e tudo dita. Pontapeei dois verbos sujos entre dentes até conseguir sair fora dos trocadilhos do caralho em que se tornou a interpretação do mundo. Vejo setas, signos, sinais, cantos mal cheirosos que me indicam onde devo mijar esta vontade de sair fora do amontoado. Fora sou um marginal, dentro sou um animal, e se em “dentro e fora” se conjuga o verbo foder porque então não procurar o efémero êxtase nessa louca transumância. Cordeiro de Deus és, em pés de bode te tornarás