terça-feira, 5 de julho de 2011

cabelo fogo











Cabelo fogo! a Terra arde de Pena por ti. De mil labaredas castradas nesse núcleo/peito que se quer expandir para lá do limiar/ar rafeiro de tua crosta. Os teus sinais/sismos são sinal de tuas pulsões que nós Seres pedintes de moral crucificamos em fogueiras de racionalidade. Trazes contigo a chaga da Beleza onde o B foi confundido com L. O que eles não sabem é que o teu inferno advém de não conseguires abraçar de calor os glaciares opostos, que para ti são o mesmo. Pintas um quadro hiper-realista de um ponto apenas. E do espectro das cores, o branco glaciar que queima, existe nele todas as cores que reflectem para o negro céu todo o arco-íris. Branco para reflectir, negro para absorver és o ponto final do inicio deste texto

segunda-feira, 27 de junho de 2011

ardem águas












Ardem águas paradas, poluídas de inércia.
Para que um sorriso impluda mil lágrimas afogam-se em peitos calcinados de dor. Os dias passam numa prepotente potente dor ardor. Partos diários de entusiasmo levantam-nos os ossos de quatro patas sonâmbulas para tripés egocêntricos. Ai, bem seguros aos olhos de quem nos olha, somos fixidez fiel de felicidade. Sem idade para continuarmos tristes rendemo-nos ao concreto. Concretamente não sei onde começou o inicio desta figura de estilo, mas sinto-lhe o trago final.

terça-feira, 7 de junho de 2011

sentimento geométrico
















São círculos senhor, são círculos…, nunca o são plenamente pois o seu raio aumenta e diminui de acordo com a consciência enganada de cada pensamento, contudo essa esfera de ideias pré-construídas acabam por criar uma elipse que podemos chamar de círculo. Porque continuar a dar nomes cada vez mais específicos às coisas? Cá prá mim “coisas” que não são coisas não deviam ser conceptualizadas linguisticamente. Rugiria uma ou outra tonalidade e na sua intensidade, explicaria tudo isto que estou a escrever e apenas o cheiro expelido teria poder interpretativo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

nauseante sobriedade












Toda a aura decadente sempre me inspirou. Não tanto de um cabedal remendado, mais de um Bukowski adulterado, contudo por mais que me esforce estou condenado à sobriedade. Gostava de perceber as letras das músicas, mas apenas lhe sinto o tom, gostava de beber até cair, mas caio sempre ainda nem bebi até ao fim. Como invejo aqueles que bebem até perder a consciência, que bebem até se esquecer que estão a beber, que bebem e ficam verdadeiramente ébrios, enublados no sentir. Se por momentos fico mais aparvalhado - não bêbado - é porque o inconsciente está benevolente para com o consciente. Se ainda ou menos pudesse trocar as pernas trôpegas pela alma, se aquela dormência sortisse efeito nem que fosse em doses ínfimas. Quero-me foder todo e não consigo e “na vertigem existe adrenalina com sabor ansioso a náusea”.

domingo, 17 de abril de 2011

Torpe













De manha acordo torpe. Bochecho alguma realidade ficcional e perfume-me de alguma pretensão para ser, ora artista ora dogmático económico-politico-opinador de algo pretendo inteirar-me de tudo. Mas filho, tudo é tanto que tanto faz o tudo que queres perceber que nada perceberás contudo. A noite vem e com ela a resignação caótica do tempo que não nos dá espaço. Tal como uma namorada que amamos, por vezes precisamos de um tempo do próprio Tempo. Seja na física quântica ou num simples acordar o tempo e o espaço nunca estão desassociados e isso é uma merda.