segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

palavras projectadas
















Olho a imagem projectada do meu poderia-Ser. Sou então isso tudo, e rapidamente o peso das medalhas de tanto Ser quebram-me a consciência cervical, paraplégico na atitude, arrependo-me ter perdido tanto tempo a Ser. As palavras valem merda, as escritas são de tal modo pestilentas que me enoja só de saber que preciso de escrever esta bosta para me relembrar num futuro lúcido que afinal era louco. Sou o típico louco, que sabe que vai ficar são, um igual a tantos outros loucos do agora que sabem que amanha serão sucesso, serão progresso, serão congresso retórico. - Boa tarde madame sanidade, gostaria de falar com o meu punho direito, caso esteja disponível era favor de deixar recado que pretendo ser espancado o mais rápido possível. Três murros de verbos no céu-da-boca quase que me expelem algumas palavras que tanto abomino dizer, mas, para fatalidade minha o sangue esguichado na parede esboça uma frase linda “amor, o amor mora num poço”. Odeio palavras projectadas.
(pedrolobo)

sábado, 15 de janeiro de 2011

de costas tudo vi












De costas tudo vi. Não foi preciso olhar duas vezes, nem uma, nem nunca mais quererei voltar a olhar com olhos de ver, ficarei petrificado se o voltar a fazer. Não sendo mau de todo visto que poderiam adorar o meu busto diamante, mas ficaria para sempre preso nessa glorificação terrena e apenas a dor é terrena. Então dai-me dor agora e libertai-me no anonimato eterno.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

círculo cobra




















o círculo,
O círculo vale 0, porque acaba por se chegar ao fim desse mesmo inicio, nessa plataforma sou guiado pelo trance do eterno retorno a não me perder do caminho. O loop inicia uma velha viagem. Visito o pó dos teus avôs cada vez que inspiro o teu espirro, nojo eterno esse pulsar. Se deres por ti com um sintoma repetitivo, um maneirismo intransigente não é neurose localizada de um mal, é apenas o pó que se quer soltar, sacode-te e quebra o pescoço retórico. Lá na terra das procissões, há muito se percebeu que as maleitas se excomungam através do ritual, fazer o mesmo percurso com os mesmo andores carregados nas ombreiras da dita retórica cervical levam-nos a transportar o sagrado por terrenos profanos. Violado e exposto ao mundano, a cânticos e bombardeamentos florais intoxicados pelos fumos dos phallus de cera, que ao longo do percurso perdem vigor e luz, retoma-se assim ao inicio purificado. Ciclo menstrual de ideias, fertilização do éter é a cobra a comer-se pela sua própria cauda elevada aos céus. Deus é assim auto-antropofágico. Trinco um dedo e sinto-lhe a dor porque só a ELE pertence o prazer. O círculo vale 0.

domingo, 9 de janeiro de 2011

nos dentes segure a primavera












e volto em tempestade, decepado
entre os dentes segure a primavera
(secos e molhados)