domingo, 29 de junho de 2014

Rainhas da Pedra



























De Pedra lascada pontas de lança rijas que nem mamilos espetam bocas sedentas de nutrição. Erguemos toneladas e homens há milénios nos nossos ventres. É essa a nossa função. Erguer-vos. Depois de erectos, paridos neste mundo como menires, de orientação celestial, é triste ver que aquele pénis já não jorra nem chora por mim, virou serpente da sapiência moldável ao jogo da matéria, com malabarismos mundanos engana-se constantemente nas suas armaduras de betão. Eloquência adaptativa como a coluna de uma serpente, procura novamente ser firme como uma rocha.


terça-feira, 13 de maio de 2014

Homo - Diamante (HR Giger)






















Nunca gostei do teu traço, da tua imagética, via-te como um freak grotesco que chocava pela estética pornográfica, mas cedo vi nos teus desenhos o Futuro que assombra meus pensamentos. Continuo a não gostar da tua estética e muito menos dos pensamentos que criaste em mim, por isso te respeito imenso. O teu legado é permitir-me perceber e lutar para que nunca seja legado para lá da obra. Criaste em mim a noção do Homo-Diamante que tanto abomino como idolatro, essa necessidade intrínseca no Ser-Humano de materialização da eternidade hedonista. O dito processo cientifico-ò-evolutivo da medusa, estrela do mar, reptiliano, australopiteco, habilis, sapiens-sapiens.  Cidades-Indivíduos com memória assente na cadeia genética de toda a humanidade que regozija, agora, orgasticamente de prazer constante num planeta morto. A Meta-Ciência como fim indestrutível da redundância angustiante que é/era a Morte. Já não há morte, apenas circuitos fixos de upload e download de orgasmos constantes num sistema fechado à vida decadente do erro e dessa efemeridade erradicada, a MORTE. Por isso digo, e venha a nós a morte para que a vida continue, algures, aqui e ali para onde agora foste. Que a tua existência viva agora e plena nos planos mais claros que jamais serão pintados.  

terça-feira, 29 de abril de 2014

Génesis



















A serpente sussurrou curiosidade, a curiosidade sussurrou desejo, o desejo sussurrou conhecimento e da árvore do bem e do mal, rabos em forma de maça, Adão ousou. Eva foi julgada por transformar um fruto num rabo e um rabo num coração e um coração que sangra continuamente jamais dará frutos. Dou-te assim ciclos menstruais, onde serás Sol que aquece e Lua que adormece, matéria, que geme e se esclarece, contudo, pela arrogância de teres profanado a fruta divina ficarás numa luta eterna entre o alimento e o desejo de o comer. À Mulher, darei maças encarnadas suspensas nas suas serpenteantes colunas, que escondem sumo, suma da vida. A ti Homem, que eras à minha imagem e semelhança o conhecimento será o teu Carmo, te cairá sobre a cabeça em forma de Espírito Santo na equação da gravidade para que jamais esqueças da fraca matéria a que és subjugado. Crucificado em E = MC2.