terça-feira, 29 de abril de 2014

Génesis



















A serpente sussurrou curiosidade, a curiosidade sussurrou desejo, o desejo sussurrou conhecimento e da árvore do bem e do mal, rabos em forma de maça, Adão ousou. Eva foi julgada por transformar um fruto num rabo e um rabo num coração e um coração que sangra continuamente jamais dará frutos. Dou-te assim ciclos menstruais, onde serás Sol que aquece e Lua que adormece, matéria, que geme e se esclarece, contudo, pela arrogância de teres profanado a fruta divina ficarás numa luta eterna entre o alimento e o desejo de o comer. À Mulher, darei maças encarnadas suspensas nas suas serpenteantes colunas, que escondem sumo, suma da vida. A ti Homem, que eras à minha imagem e semelhança o conhecimento será o teu Carmo, te cairá sobre a cabeça em forma de Espírito Santo na equação da gravidade para que jamais esqueças da fraca matéria a que és subjugado. Crucificado em E = MC2.    


quinta-feira, 27 de março de 2014

conquistar o monte de Vénus





















Avante camarada, até lá cima espetar profundamente a bandeira para que essa terra grite de pertença. Depois de conquistada há que a ir regando de sangue e sémen para que as primaveras desabrochem nessa cinza de morte plantada. Mas amigo, depois de tantas batalhas suadas em armaduras de aço comandadas à força de uma tesão, nada mais haverá a escalar, de tantos Everestes conquistados nenhum será suficientemente gostoso e alto, a queda para nós homens será sempre eterna, podes deitar-te sempre nos vales de mamas e aromas que te adormecem mas a inquietação será a tua cruz. Há salvação sim, mas não te a conseguirei escrever por signos linguísticos, terás que treinar o silêncio. Mas olha à tua volta, conhece e olha a Mulher, a tua mãe, a tua amiga, ela há muito soube que na degustação da maça é que está o estalo, a filosofia é coisa de pilas que fantasiam cumes. As mulheres estão sempre prontas para o próximo orgasmo cósmico, porque não foram programadas para cair no abismo ejaculativo pois não há cumes a conquistar, apenas eternos retornos de corações e clitóris afagar.

domingo, 26 de janeiro de 2014

sopas de cavalo cansado















Juventude alada, um olho à Eusébio e duas colheres de sopa de cavalo cansado. 


Éramos modernos, concretos na salvação esteta e tecnológica. Agora somos pós-modernos e mais primitivos que uma pedra, calhau seria demasiado bacoco, e bacoco era a tua prima e quanto mais prima mais se-lhe-arrima, e arrima que lá vai disto, ou, aqui vai-alho. Que mil Caralhos, então, mas agora esta modernidade liquida, como alguns autores eloquentes e consagrados do pensar teceram, ou entesaram, saiu da academia e anda aí em forma de cerveja a intrujar-se nas juventudes ávidas por fazerem sentido. Ser jovem é tudo menos tentar fazer sentido ò seu adolescente com traje de gente, ou doutor ou a puta-que-te-pariu. Se ao menos se ficassem pelas mijadelas no bairro alto e dos gritos em uníssono de pertença, mas não, sobem às cavalitas dos cavacos para fazerem sentido, e pior que isso alistam-se em partidos, como se soubessem que partido a vida lhes reserva. Antes andassem à porrada. Vai-te emancipar, vai, vai-te capar, vai-te referendar se devias ter nascido. Não vir uma onda nudista do meco que te envolvesse e devolve-se em gente. Não vou mais bater nesta juventude trajada que me envergonha e me tenta governar. Mas ao menos, se percebessem que não são, não és especial. O Mundo não se aguenta com 7 biliões de Cristianos Ronaldos, se eu já me vomito com 5 copos agora imagina o mundo e a sua dor por te ter parido. O Mundo não quer saber a tua opinião e não te deve nada, tu deves-lhe tudo e só o empenho e as melhores intenções interessam. Desde que te impingiram que o céu seria o limite, e a modernidade, um esforço contínuo, rápido e irrefreável para alcançá-lo, que mais te esfarelas. O acesso a meios mais rápidos de mobilidade na modernidade é a principal ferramenta de poder e dominação. Ser moderno passou a significar ser incapaz de parar, de ficar com a opinião encerrada no eclair das calças, o pavor de ficar parado, tendo necessidade de estar sempre à frente de si mesmo, significa também, ter uma identidade que só pode existir como um projecto não realizado. Uma angustia perpetua.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

demasiados pénis neste jarro
















Preto no branco, nada de loucuras, tudo concreto, um voto certeiro e menos impostos e mais centeio.

                                                                                   ou

Cinzeiro cheio, liquidez ambulante, abstenção idosa pois sou poeta e minto aquilo que em verdade (ab)sinto.
Sempre achei que envelhecer seria quando tivesse a certeza de algo, agora sei que é logo depois de contrair o primeiro empréstimo, os juros de mora vão te perseguir a cara com rugas. Contrai em tempos um Amor com as swaps certezas de borregos risonhos, vieram os senhores de fraque convidar-me para uma chanfana ainda ontem. Fechei-lhes a porta na cara, pois já tenho meo obrigado, estou servido, já tenho tudo não percebo o que estas pessoas fazem na minha porta todos os dias, devem ser loucos, e de loucos todos nós temos um pouco, é isso e leite no frigorífico, não vá aparecer aquela menina da meo novamente, que eu bem a vi a ir-se embora na sua bicicleta doirada, tal e qual como a bala que lhe guardo.