Construam cidades o mais alto possível, - é uma ordem - para que lá do alto consiga espreitar as saias a todas as estrelas, ouvir as conspirações dos Deuses, tomar-lhes o Poder e as filhas e se possível subir mais os impostos. Se todos comunicassem com a minha linguagem há muito que lhes tínhamos, sorrateiramente, como quem esculpe um monstro na cave, conquistado o conhecimento supremo. É pois, quando subimos lá bem no alto, e nos colocamos em bicos de pés para bisbilhotar conhecimento alheio que nos apercebemos que os pés que beijávamos e adorávamos eram os nossos, e afinal aquele rabo não é sexy, é o nosso rabo e está borrado. Desce, desce então até ao rés-do-chão, pede uma aguarrás para lavar toda essa merda acumulada de conhecimento ao longo destes anos, de certezas absolutas, ideias e ideais inquebráveis que te deixaram dormir estas noites todas e desperta a sabedoria inquietante da incerteza singela. Dá-lhe a mão pois agora andas perdido de sabedoria, e se possível acaricia-lhe os seios. Dorme finalmente bem.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Torre de Babel
Construam cidades o mais alto possível, - é uma ordem - para que lá do alto consiga espreitar as saias a todas as estrelas, ouvir as conspirações dos Deuses, tomar-lhes o Poder e as filhas e se possível subir mais os impostos. Se todos comunicassem com a minha linguagem há muito que lhes tínhamos, sorrateiramente, como quem esculpe um monstro na cave, conquistado o conhecimento supremo. É pois, quando subimos lá bem no alto, e nos colocamos em bicos de pés para bisbilhotar conhecimento alheio que nos apercebemos que os pés que beijávamos e adorávamos eram os nossos, e afinal aquele rabo não é sexy, é o nosso rabo e está borrado. Desce, desce então até ao rés-do-chão, pede uma aguarrás para lavar toda essa merda acumulada de conhecimento ao longo destes anos, de certezas absolutas, ideias e ideais inquebráveis que te deixaram dormir estas noites todas e desperta a sabedoria inquietante da incerteza singela. Dá-lhe a mão pois agora andas perdido de sabedoria, e se possível acaricia-lhe os seios. Dorme finalmente bem.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
manifesto romântico
10 Mandamentos
românticos:
1º somos contra a
caridade, o altruísmo bacoco, defendemos o amor na sua base mais insustentável
e violenta, o desejo de não desejar, o desejo de voltar a desejar e o desejo
que o verbo desejar nunca desapareça do léxico romântico.
2º morrer de amor se assim for o traço
3º jamais erguer a cabeça a cima dos ombros altivos numa postura de conforto e/ou confronto com a dor, ela ao surgir deve ser imperativamente rainha
4º reconhecer e distinguir a fonte da dor, da pura frustração egocêntrica, apenas a primeira poderá dar azo ao 2º mandamento
5º mingar sobre a dor até que seu amparo nos ampare o sereno sono
6º sair à rua passear a dor, até que se desfaça em favos de mel, doces e podres pedaços temporais
7º todos os dias ao levantar escolher qual o favo a meter à boca, engolir e silenciar opinadores externos, esses saqueadores da vontade mais cruel e sincera do peito, apenas pegar naquele que o peito ditar e sair degustando.
8º lamentar todos os amores desta e das outras mil vidas não vividas, desperdiçadas no medo, na hipocrisia da falsidade gratuita. Somos a favor do hedonismo partilhado, mas ferozmente contra os jogos de gratuitidade medíocre, de silêncios interpretativos e de fugas e carapaças de defesa individual, não pervertam um romântico se é para o desprezar em cómodos silêncios de cinismo, o amor quer-se rijo, concreto como um pénis/carimbo erecto antes de o credibilizar.
9º todos os românticos devem possuir dois grandes amores numa vida, aquele que já viveram e aquele que nunca viverão, tendo plena consciência que nunca lhes restará nenhum deles
10º todo o verdadeiro romântico acaba por ter em si uma dose de misticismo onde se debruça sobre oráculos de sentimentos sinestésicos. A congruência do amor existe tão negra como o cosmos, pintalgado por certezas estrelas, cacos primitivos da primeira Grande-Orgia.
2º morrer de amor se assim for o traço
3º jamais erguer a cabeça a cima dos ombros altivos numa postura de conforto e/ou confronto com a dor, ela ao surgir deve ser imperativamente rainha
4º reconhecer e distinguir a fonte da dor, da pura frustração egocêntrica, apenas a primeira poderá dar azo ao 2º mandamento
5º mingar sobre a dor até que seu amparo nos ampare o sereno sono
6º sair à rua passear a dor, até que se desfaça em favos de mel, doces e podres pedaços temporais
7º todos os dias ao levantar escolher qual o favo a meter à boca, engolir e silenciar opinadores externos, esses saqueadores da vontade mais cruel e sincera do peito, apenas pegar naquele que o peito ditar e sair degustando.
8º lamentar todos os amores desta e das outras mil vidas não vividas, desperdiçadas no medo, na hipocrisia da falsidade gratuita. Somos a favor do hedonismo partilhado, mas ferozmente contra os jogos de gratuitidade medíocre, de silêncios interpretativos e de fugas e carapaças de defesa individual, não pervertam um romântico se é para o desprezar em cómodos silêncios de cinismo, o amor quer-se rijo, concreto como um pénis/carimbo erecto antes de o credibilizar.
9º todos os românticos devem possuir dois grandes amores numa vida, aquele que já viveram e aquele que nunca viverão, tendo plena consciência que nunca lhes restará nenhum deles
10º todo o verdadeiro romântico acaba por ter em si uma dose de misticismo onde se debruça sobre oráculos de sentimentos sinestésicos. A congruência do amor existe tão negra como o cosmos, pintalgado por certezas estrelas, cacos primitivos da primeira Grande-Orgia.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Eva porque cheiraste a maça e deixaste-me cheirar-te?

Ontem fiz download de um orgasmo, mas
vinha com bug, contudo descarreguei umas boas quantidades de energia potencial, - ou em
calão que gosto de utilizar-, vi-me todo. Mas por escassa fracção no sistema uma
qualquer memória afectiva relembrou-me que em tempos idos o sexo era carnal. Canibal. segundo alguns autores primitivos do século XX. Codifiquei então num desses wikipédias que me implementaram sobre aprendizagem humanoide dos processos
cognitivos rupestres, que nosso ancestral homo
sapiens sapiens tinha uma fixação em comer. Ingerir corpos, só não chupavam Mercedes porque naquela altura ainda eram de metal e de metal era a
minha tetravó e já estava conectada para a grande meta-final, à qual pertenço, o
homo-diamante. Feliz e eterno nesta fixidez em que tudo viajo pelas injecções de adn de meus/teus ancestrais, tenho curiosidade espalhada pelos cabos, de saber
como foi. Tocar, tocar-te, tocar-me, tocarem-me. Por mais programas que descarregue
sobre os idos cinco sentidos pragmáticos, talvez seja esse que mais sinto
saudades, esse conceito que apenas aprendi com um combinado químico de
moléculas que vou descarregando para o sistema com o aroma dela, da Eva
Inicial.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
abrir o peito ao medo
pensa,…amanha estás morto teus sonhos
morrerão primeiro que o teu corpo, vais-te agarrar ao concretismo para nessa
agustia sobreviveres até lá. Assim das duas três, evitar refletir, olhar para o
lado assobiando, delinear uma agenda preenchidíssima para assim o tempo passar depressa
e despertarmos para tal já falecidos. Isso, ou abrir o peito ao medo. Profanar
todas as ideias e esperanças pré-definidas. Manter a mente clara e iluminada
que já pertencemos ao passado tal como nossos antepassados e o mundo vindouro, que
está na barriga deste, gritando por pariu, só depois de descermos até à cave do
medo mais profundo, haverá esperança que nasça e grite de saúde por uma
consciência maior. Dilatar, respirar, procurar na ambivalência beijar a flor e
o espinho com mesmo carinho, membros do mesmo corpo é também desenhado o corpo
biológico/espiritual do agora. Serei o teu melhor amigo que te esquecerá tal
como o wikipédia quando morreres. Não penses num mundo melhor, ninguém se lembrará
de ti daqui a 100 anos. Evita lutar, pois cria inércia, taquicardias e ficas
mais feio. Despe o pensamento do ter que deixar testamento, património material
ou imaterial, filhos educados, livros esclarecidos, entidades certificadas,
empresas no psi20, ideologias de bandeiras, brincos de ouro, obra artística,
nada, nada a deixar. Tudo que deixares no sangue materialista deste mundo se
evaporará no ar com o Tempo. Faz parir o pavor em ti que te estremeça ao ponto
de abalar apenas a noção disto, pois a acção está em curso há milénios.
domingo, 30 de setembro de 2012
Moondog
Filho de uma Loba e um meteorito fecundativo, nasci eu. Condenado à nascença, aborto clandestino, sangrei por mim e por tantos outros gémeos a mim iguais, mas eu teria de nascer dessa fusão, cartas de oráculos esvoaçaram e Lua Mãe fez-me parir na mesma, e assim gritei orgasmos invertidos quando vi o pai Sol, ali tão central, tão celestial. Eu era apenas mais um ofuscado da energia vital que o meu Pai Sol tinha ejaculado naquele meteoro. Já em Terra, terra fria de deuses e deusas, pessoas, servos e cervos, cada um artilhado de hastes, leques e antenas lá íamos colocando e sintonizando o que sobrava deste nosso início sexual cósmico.
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