quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

branco cor da escuridão


















e fez-se luz, no primeiro dia, dias se seguiram e

sem mais cavernas para nos afagar os medos, empurraram-nos torre acima para lá no alto contemplar esclarecimento, …oh meu deus, torrado e calcinado de tanta luz nestes ossos que sentem, nesta carne que fala, acho que apanhei demasiada luz na moleirinha. Lá em cima ao esturreiro, sempre lá em cima, demasiado acima, cai aos trambolhões cornucópia abaixo até na cave pintar novamente pensamentos nas paredes da consciência. Ai, de rupestre visão não mais vi torre, apenas tonalidades mensuráveis e consumíveis. Reescrevi então o meu pergaminho, com um gemido nasci e com um silêncio morri. Do preto acordei no branco vivi para o preto voltarei. Na química das cores, o branco tem em si todas as cores primárias e todas elas reflecte, encadeia-nos de tons, esturra-nos o pensamento e por conseguinte o sentir. Já o preto, todas as cores absorve e não reflecte nenhuma, é um orgasmo pleno de silêncio esclarecedor.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

religião capilar












todas as palavras que expeles e frases feitas que ditas são sagradamente profanadas pelo exterior exuberante que te envolve, que se foda o léxico e os dogmas esperançosos,... eloquentes grunhidos tudo dizem, se não percebeste isto, sente o odor de um cabelo de uma mulher que o mereça e perceberás

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

o Mago que era Magro


















O Mago, magro e alto com olhos de peixe e espinha dorsal no peito, que salta, cada vez que é puxado a terra, como um cavalo-marinho obrigado a cavalgar sobre o peito até ao mar. Cansado de calcorrear clarividência, deseja apenas as trevas da serenidade. Da tenra idade de anfíbio, apenas guarda fotografias de certeza. Viveu todas as vidas, esteve em todos os corpos desses que têm prazer logo dor. E do amor, desse cliché herdou a hipocrisia, aristocracia certeza da crença no além. Dos joelhos e ombros saem ossos que espetam vícios onde se deitam, agulhas que tatuam de droga veias inchadas de encantamento. Enfim o Magro está cansado de ser Mago, da alquimia sentimental investiu na economia do corpo, dê-se o corpo aos animais, patadas na porta quebrarão fechaduras e dessas fugas, vazias manjedouras permanecerão em vão, pois o Mago será sempre Magro.