terça-feira, 7 de junho de 2011

sentimento geométrico
















São círculos senhor, são círculos…, nunca o são plenamente pois o seu raio aumenta e diminui de acordo com a consciência enganada de cada pensamento, contudo essa esfera de ideias pré-construídas acabam por criar uma elipse que podemos chamar de círculo. Porque continuar a dar nomes cada vez mais específicos às coisas? Cá prá mim “coisas” que não são coisas não deviam ser conceptualizadas linguisticamente. Rugiria uma ou outra tonalidade e na sua intensidade, explicaria tudo isto que estou a escrever e apenas o cheiro expelido teria poder interpretativo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

nauseante sobriedade












Toda a aura decadente sempre me inspirou. Não tanto de um cabedal remendado, mais de um Bukowski adulterado, contudo por mais que me esforce estou condenado à sobriedade. Gostava de perceber as letras das músicas, mas apenas lhe sinto o tom, gostava de beber até cair, mas caio sempre ainda nem bebi até ao fim. Como invejo aqueles que bebem até perder a consciência, que bebem até se esquecer que estão a beber, que bebem e ficam verdadeiramente ébrios, enublados no sentir. Se por momentos fico mais aparvalhado - não bêbado - é porque o inconsciente está benevolente para com o consciente. Se ainda ou menos pudesse trocar as pernas trôpegas pela alma, se aquela dormência sortisse efeito nem que fosse em doses ínfimas. Quero-me foder todo e não consigo e “na vertigem existe adrenalina com sabor ansioso a náusea”.

domingo, 17 de abril de 2011

Torpe













De manha acordo torpe. Bochecho alguma realidade ficcional e perfume-me de alguma pretensão para ser, ora artista ora dogmático económico-politico-opinador de algo pretendo inteirar-me de tudo. Mas filho, tudo é tanto que tanto faz o tudo que queres perceber que nada perceberás contudo. A noite vem e com ela a resignação caótica do tempo que não nos dá espaço. Tal como uma namorada que amamos, por vezes precisamos de um tempo do próprio Tempo. Seja na física quântica ou num simples acordar o tempo e o espaço nunca estão desassociados e isso é uma merda.

domingo, 27 de março de 2011

le fuck cest la life















Vieram touros marrar comigo, nem verniz vermelho trazia, das 3 para as 4 dei por mim a saltar fora da arena. Quero encontrar a Cena, para Ser. A minha cena é a presunção, se tu o és também porque não o admitimos todos de mãos dadas com luvas esterilizadas, sim percebo… porque tens demasiada presunção e camuflas-te de camuflado. Sempre gostei de retalhos e talhas de igrejas e casas nobres, aquela fina camada de folha de ouro protege os imperiais carunchos do exterior contaminado de olhares fascinados. Tudo que é puro mete-me nojo, esse cintilante diamante já foi pó de nada, mas agora brilha e vale mais que tu carne Ser. Profano tudo aquilo que tu sacralizas, a tua calma é o meu Japão, e na puta de uma asneira digo que estou erradamente sóbrio.

terça-feira, 8 de março de 2011

unhas garfos














Unhas garfos afagam costas camufladas de crostas de dedos impacientes. Comichão consume a lume brando a ferida de ti, amor. És latejante bonita ao sorriso fácil. De sufoco militante quando hermeticamente te fechas em janelas para o teu mundo. Quebro esperanças de morte amanha, quando perfumas de ásperas palavras o fumo que me intoxica. Coço-me mais, para lá da derme. Restam lixas para os ossos e depois da segunda passagem estão prontos para a primeira camada de verniz de outra no teu corpo. Enfim, tens o traço que não é teu, e deus não te fez a sua imagem. És o reflexo do amor mentiroso de alguém e assim sobrevives até hoje.